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Bocada - Forte ::: Entrevistas

Max B.O: na batida da cidade

Data: 02/11/2009

Max B.O. por Renato Suzuki
Max B.O e Serginho
Max B.O, o rapper
Max B.O, o MC Rappórter
Max B.O em ação
Marcelo Silva, o Max B.O é um artista multimídia. Faz Rap, TV e cinema com a destreza de um repentista, circula pelas  festas mais badaladas como o "MC Rappórter", é querido por artistas e celebridades e faz seus entrevistados rimarem - na batida da cidade, desfazendo a pose de mau que até então o Rap tinha na mídia.

A carreira na música começou em um Festival Estudantil, que alguns anos depois deu origem ao grupo Boletim de Ocorrência. De lá pra cá, foi integrante da Academia Brasileira de Rimas e trabalhou ao lado de grandes nomes da música, como Trio Mocotó, Funk Como Le Gusta, Marcelo D2, além de apresentações com Seu Jorge, Nação Zumbi, O Rappa e internacionais como Afrika Bambaataa, Zion I e De La Soul.

É ele também o Mestre de Cerimônia que tem conduzido festivais como o FreeJazz Project, Skol Hip-Hop Manifesta, Brasilintime e Indie Hip-Hop. A preocupação social está sempre em foco, através do trabalhos desenvolvidos com o projeto TIM Música nas Escolas e também com a crew Patchol’s, que realiza trabalhos voltados a grupos comunitários. Max ainda atuou no longa “Antônia”, de Tata Amaral (Coração da Selva), como assistente de direção no média metragem sobre rima de improviso “Versificando”, de Pedro Caldas (13 Produções).

Selecionamos cinco perguntas enviadas pelos fãs do MC, por e-mail e através do Twitter, e Max B.O falou sobre produção musical, o preconceito no Rap, o trabalho na TV, seus projetos futuros e sobre o EP "BORock" - projeto musical que irá contar com beats produzidos a partir de clássicos do Rock and Roll e que foram enviados por seus seguidores do Twitter.

Na batida da cidade, da música e da diversidade. Confere aí:

Central Hip-Hop (CHH): A internet modificou o modo de fazer música. Como você vê esta mudança? Acha positivo? O que estas ferramentas novas de comunicação e compartilhamento da cultura agregaram na tua carreira?
Max B.O: Acho que pro campo da pesquisa e comunicação melhorou demais porque você tem as informações de maneira muito rápida e simples, em qualquer aspecto. Agora tem muita gente fazendo aula e aprendendo tudo na Internet... Sem contato direto, sem relação ou então na base da aventura. Tá certo que sai muita coisa boa, mas pra isso sair já saiu muita tranqueira! Essa ferramentas me ajudam muito em divulgação, relacionamentos com outras regiões e setores, pesquisa, entre outras coisas.

CHH: Você está no Rap há um bom tempo. De lá pra cá, aconteceram muitas transformações. Como você vê o cenário hoje?
Max B.O: O preconceito não é do rap, é das pessoas. Mas é que o povo do Rap sempre passa por umas coisas muitas vezes curiosas... Abriu a porteira dos estilos musicais, ai tem playboy rimando, do mesmo jeito que tem cara varrendo rua com diploma embaixo do braço. Quando aumenta amplia, isso é bom. Mas aí falta espaço pra todo mundo e muita gente que não tem nada com aquilo ocupa o espaço de quem tem a ver mas tá menos posicionado. Surgiram novas vertentes, mas o público também está mais exigente e crítico em suas escolhas.

Juliana Soul (São Paulo): Você esperava o sucesso e a notoriedade que possui hoje, quando começou no Rap? Você acredita que há um retorno financeiro compatível para o tempo e o talento depreendido dos artistas envolvidos com o Hip-Hop brasileiro se comparado com o restante do mundo? Sim? Não? Por quê?
Max B.O: Bom, primeiro eu gostaria de dizer não esperava, de forma alguma! Assim como todas as pessoas que entram em determinadas profissões ou projetos pessoais você está dando um tiro no escuro, não tem como prever se isso será sua fonte de sustento, se será de forma digna ou não e em que prazo isso terá retorno, se trouxer. Tudo começou num Festival de musica onde eu estudava, minha sala foi a unica a entrar com um Rap e vencemos. Aquilo me disse muita coisa. Quanto ao retorno financeiro ao tempo e talento, eu acredito que é uma coisa complicada de lidar, por que existem estratégias e forças externas...

Acho que tem muita gente sem talento ganhando dinheiro e gente sem dinheiro fazendo perólas nas beiras das calçadas e isso não acontece só no Rap. Não tem como comparar-nos com o resto do mundo, não só no Rap mas em todos os aspectos. Povos, costume e uma série de outras coisas diferentes. Talvez nos Estados Unidos um cara igual a mim, 15 anos de carreira tenha muito mais coisas que eu tenho hoje. Mas talvez eu também posso conquistar amanhã o que nunca tive nesses 15 anos. É tudo muito relativo, o que colho agora é resultado de uma antiga plantação, mas tem gente que fez a vida num dia, em 20 minutos.

Rangel Santana (Salvador): Então Max B.O, hoje este tal "profissionalismo" tirou das rodas de Rap o papo sobre música, só se fala em jogo, dinheiro, sucesso, e dai você vem com um disco em que as produções são baseadas no Rock, aonde nasce esta influência?
Max B.O: Não acho que o profissionalismo tirou das rodas o papo sobre musica não... Mas entendo bem o que você quis dizer e realmente muita gente está sem tempo pra isso, ou finge não ter tempo... As pessoas vão se ocupando mais, demandas de trabalho aumentam toda hora, mas vai surgindo gente nova com esse mesmo interesse de manter a chama acesa. E a necessidade dos que não dispõem de tempo pra desenvolver essas atividades, faz com que surjam os paralelos pra complementar e manter esse link. É o caso do "BORock", o projeto de Rock que voce citou na pergunta. Tô gravando meu disco um tempão já, mas muitas outras coisas rolam nesse tempo, surgem musicas que não são do disco e podem ir em outros projetos ou se transformarem em novos trabalhos. Aí fui pro twitter e mandei pra galera, a maioria nem conheço: quero fazer um EP de Rock e quero beats de quem produz e me segue na página. Terão uns dois beats de gente conhecida já, pra dar mais força ao lance, acompanhado de um pessoal que produz e que está na correria também. Quero que todos sejam notados, não sei fazer nada sozinho, você sempre precisa de ajuda. Se os meus projetos não forem uma oportunidade pra quem tá comigo, quero que ao menos abram portas pra isso. Cada um no BORock vai me dar um beat e eu vou escrever os raps pra todos os selecionados. Parceria é isso: colaboração e boa vontade.

Diego Franco (Minas Gerais): Porque um MC com tantos anos de carreira nunca lançou nenhum disco oficial?
Max B.O: Por que além de não trabalhar sozinho e com colaboradores, tenho um compromisso com o que quero chamar de registro. O que as pessoas vão ouvir de mim em suas casas, carros, festas e outros lugares quero que seja levado pra vida. Fora isso, enfrento todas as dificuldades de qualquer artista que luta por sua verdade: Dependo de amigos produtores, diretores, essas coisas da musica independente. Não tenho contrato com ninguém que queira me usar como massa de manobra. Se alguém chegar em mim e disser: Max, vamos investir na sua verdade, to nessa! Agora se eu tiver que sobreviver rimando o que os outros querem, deixa queito. Como tá eu já tiro o sustento dos meus filhos e não tenho grandes ambições, vamo seguir assim.

Alisson Drs (Campo Limpo Paulista): Ouvi, sua entrevista no Programa Freestyle, onde você contou que na sua história como rapper, no começo você fazia rimas como a maioria na época falando sobre crime, violência e drogas, diferente do que são suas letras hoje. Pra ocorrer esta mudança seu gosto musical no Rap também teve que mudar? E  quais suas principais influências no Rap nacional?
Max B.O: Vou começar responder essa do final. Tenho medo de indicações por que admiro alguns artistas que devem muito como ser humano. Talento não tem que ser só bom verso, saber cantar ou tocar. Pra um artista me influenciar precisa ter respeito, consideração, lealdade, humildade e essas coisa hoje quase ninguém tem.

Minhas influências vão além do Rap nacional, que musicalmente falando nem tem me influenciado tanto ultimamente. O que me influencia são sentimentos sensações, momentos, que vão virar letra. Atualmente tô ouvindo muita música brasileira da antiga, uns sons africanos e as músicas do meu disco, porque preciso achar coisinhas pra corrigir se preciso for. Alguns raps gringos também, mas mais os outros. Acho que você deve ouvir o máximo que puder de música em geral e filtrar, não só Rap.

Minha forma de criação mudou a partir do momento que encontrei a sinceridade no que eu queria mostrar. Eu rimava sobre violência, crime, drogas, mas minha relação com isso era de certa forma distante. Hoje eu falo dessas mesmas coisas, porém com meu próprio prisma: Sou um cara que leva normal, fazendo minhas coisas... Transito com minha realidade... Não uso arma, não assino leis, apenas busco a melhoria do meu jeito. O meu jeito é mostrando que as coisas são realmente difíceis, ainda mais se você não for real. Se seguir um padrão complica mais... No começo todo mundo segue a formula que dá mais certo. Infelizmente nem todos encontram sua realidade e ela se estabelece. Graças a Deus, tive essa oportunidade.

Eduardo Silva (Brasília): Você tem medo de que esta exposição na tv o torne menos respeitado pelo Rap? Acha que ainda rola este preconceito com os rappers que fecham com a mídia?
Max B.O: Por que eu teria esse medo? Porque rimo entrevistando gente que não ouve rap? Eu acho essa uma forma de tentar aproxima-los. Se o cara não gosta do grupo tal porque é violento, sou um meio para que se entenda essa realidade: Cada um tem seu estilo. Saio de casa em busca de uma verdade, que se mistura com as realizações pessoais e profissionais.

Eu não fecho com a mídia, ela que fecha comigo. Eles querem um cara com a habilidade que tenho e com um perfil de comunicação, se for pra pagar comédia, chama outro porque eu sei de onde eu vim e pra onde voltarei no fim do dia ou depois de uma viagem. E mais, nesse lance de celebridades e famosos eu entrevisto quem eu quero. Se for um cara que não sinto firmeza no que ele faz, não vai entrar no meu quadro. Tem gente na rua que me conhece hoje e nem sabe que eu canto há  mais de dez anos. Nas ruas só recebo elogios e isso vai de presidente de empresa à fumador de crack do centro de SP. Muitas vezes acho que minha exposição na TV faz melhor a quem assiste e se identifica com um igual lá, que a mim mesmo. E na musica é assim também.Quando te cobram cinco mil pra tocar sua musica num programa de rádio, que toca rap e você não tem condições aí tem preconceito, porque não vai tocar e acabou. Tirando o medo de não poder ajudar minha família, não tenho medo de nada.

CHH: Quais os seus projetos para o próximo ano? E o que é o Brasil Original? O que tem sido feito e de que maneira este projeto contribui para a diversidade musical?
Max B.O: Bom quero terminar de uma vez por todas o meu primeiro cd ainda esseano, mas só devo lançar ano que vem. Uma porque tô ansioso e não aguento mais responder porque ainda não saiu! E mais, acho que depois desse vai sair disco sem parar! Quero continuar crescendo com o trabalho de TV e cinema, até por que muita coisa que aplico no Rap vem de um tempo que fiz teatro na adolescência. Mas desde que isso não tire meus projetos musicais de vista, que é a base de tudo na minha carreira. O Brasil Original é uma vontade de existir uma janela indo além do que sabemos sobre nossa cultura mais rica, a que fica na pureza dos sertões, nas caatingas, nos mais velhinhos. Coisas que a gente sabe que existe, mas não sabe bem como é.

[+] Clique e visite o Myspace de Max B.O
[+] Acesse ao website oficial do artista


Por: AnaJu



Comentários

Foram localizado(s) 4 comentário(s)


O Max é o máximo

Por: Rossana Brunoro - Em: 06/11/2009 08:12:01


SALVE !!!!!!!MAX B.O, CURTO SEU TRAMPO A MUITO TEMPO DA ÉPOCA DA ABR SP

Por: NEY CAMPANÁRIO - Em: 03/11/2009 20:44:40


B.O Representz ! Leva o Rap a outros planos ....

Por: Leonardo Silva - Em: 03/11/2009 05:00:15


Sou fã do mc e do cidadão.

Por: Blequimobiu - Em: 02/11/2009 21:37:58



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