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Bocada - Forte ::: Entrevistas

Q.I. Alforria no ritmo que liberta

Data: 02/11/2009

O grupo Q.I Alforria

Q.I. Alforria (Quantidade Ideológica que Liberta) é formado por Rocha, Cafuris e RGdoQI, o grupo é da zona leste de São Paulo e tem como característica letras fortes e politizadas, contrariando alguns grupos que procuram discursos que fogem desse assunto, pois acreditam que o público quer se divertir e não está interessado em ouvir letras com teor político ou sobre questão racial e a periferia. Diversão e letras politizadas podem caminhar juntas,  é só uma questão de bom gosto.

Em entrevista que concedeu ao Central Hip-Hop, o grupo afirma que os diferentes estilos que predominam em São Paulo contribuem para o crescimento do Rap. “Precisamos do senso de luta de classe e da questão racial sem perder as raízes do Hip-Hop, mas também precisamos fazer negócio com a música e ser mais profissionais para nossa verdade atingir mais pessoas”.

Em parceria com o produtor Nefasto o grupo lançou um EP com cinco músicas, agora se preparam para lançar o primeiro CD do grupo chamado “Valsa da Vitória”, que conta com a participação de Kelly, do grupo de ragga Don Dada Clã, do poeta Sérgio Vaz, de Mara, de James Bantu do grupo Denegri, e dos rappers Rincon Sapiência, Raphão e Bá Kimbuta, que fazem parte do coletivo Audácia. Abaixo, as palavras do Q.I. Alforria.

Central Hip-Hop (CHH): Quais as referências musicais do grupo?
Q.I. Alforria: As influências vão desde Racionais, Facção Central, SP Funk, Consciência Humana, Xis, DMN, RZO, Realidade Cruel, GOG, MV Bill, Clã Nordestino, Djavan, Chico Buarque, Jorge Ben, Lenine, Jorge Vercilo, Seu Jorge, Fundo de Quintal, Adoniram Barbosa, Arlindo Cruz, Bezerra da Silva, Zé Ramalho. Não podemos negar a influência do Rap norte-americano, que hoje em dia já fugiu muito da nossa realidade em suas letras, mas a técnica na produção e na composição é a melhor do mundo. Até os companheiros da nova escola do Rap, como Rincon Sapiência, Raphão, Emicida, Vadiosloucos, Costa a Costa, Rapadura, entre outros.

CHH: Fale-nos sobre o seu mais recente trabalho.
Q.I. Alforria: Temos distribuído nas ruas um CD Promo com cinco faixas e, agora, estamos finalizando um disco cheio, com 18 músicas chamado “Valsa da Vitória”. A produção fica toda por conta de Nefasto, exceto as faixas “Não Tem Pra Onde Correr”, que é uma parceria de Nefasto e B-Zero, “Amor”, uma parceria com o instrumentista Pirola e mais quatro faixas que o Nefasto produziu em parceria com o produtor BNO. As rimas são todas composições dos integrantes do grupo - Rocha, Cafuris & RGdoQ. Contamos com a participação de Kelly, do grupo de ragga Don Dada Clan,  nos vocais,  do poeta Sérgio Vaz, de Mara, de James Bantu, do grupo Denegri, também de Rincon Sapiência, Raphão e Bá Kimbuta, que fazem parte do coletivo Audácia junto com o Q.I. Alforria. A arte final ainda está em negociação com profissionais dessa área, o disco deve estar nas ruas no começo de 2010. Faremos uma audição do CD no dia 06 de dezembro, na qual convidaremos pessoas envolvidas na cultura Hip-Hop, para mostrarmos as músicas do nosso primeiro álbum e trocar idéias sobre o produto final antes do lançamento oficial.

CHH: Como surgiu a parceria com o produtor Nefasto?
Q.I. Alforria: No início do grupo, sob o nome de Verborragia, Nefasto fazia parte junto com Rocha e RGdoQI. Por motivos pessoais, ele teve que sair do grupo, mas nunca parou de produzir nossas músicas. De uns dois anos para cá ele se profissionalizou, estudou produção musical e montou o Studio N, na zona leste de São Paulo. Hoje em dia, as produções dele batem de frente com as produções internacionais e servem vários artistas que estão trabalhando com ele.  A química que ele tem com o grupo é inexplicável, já que ele consegue tocar o que ele quiser usando a tecnologia MIDI, então podemos criar desde um Crunk até uma valsa, ou desde um jazz até uma MPB.

CHH: O que o grupo acha sobre a utilização de recursos tecnológicos como sintetizadores e distorção na voz?
Q.I. Alforria: Se o produto final for bom , a utilização de qualquer recurso é válida. Nós usamos distorção na voz pra ficar mais grave e sinistra nos refrões porque achamos que dá mais impacto para a frase, usamos Auto-Tune em algumas músicas também porque ele produz uma sonoridade moderna, algo novo, diferente da voz pura, mas só quando uma pessoa que sabe cantar utiliza o recurso que o resultado é satisfatório. A utilização de sintetizadores é um processo natural, é uma evolução da produção musical no mundo inteiro, o Rap nacional não ficou de fora disso, temos que saber usar a tecnologia e também o talento de músicos instrumentistas. Nós usamos desde o tradicional até o que os conservadores do Rap acham que não pode ser utilizado.

CHH: Vocês acreditam que pode haver espaço para vários tipos de Rap? Sempre haverá um estilo em alta?
Q.I. Alforria: É necessário ter espaço para vários tipos de rap, porque da mesma forma que Facção Central e Emicida têm sua contribuição, Cabal e Marcelo D2 também tem sua contribuição. Precisamos do senso de luta de classe e da questão racial sem perder as raízes do Hip-Hop, mas também precisamos fazer negócio com a música e ser mais profissionais para nossa verdade atingir mais pessoas. Os dois estilos que predominam em São Paulo são o tradicional, que tocam mais nas periferias, na 105 FM e que, de repente, não está tão organizado como deveria e não tem tanta festa e eventos, o estilo underground que dominou os bailes do centro da cidade, conseguiu espaços que o Rap nacional nunca conseguiu. Todos têm seu público e contribuem para o crescimento do Rap. Nós do Q.I. Alforria  e do coletivo Audácia seguimos o lema: “amor, ideologia e ténica”. O amor nos motiva a fazer a arte, a ideologia que é nossa visão de mundo e a técnica para que sua ideologia, que é cantada com amor seja escutada por todos.

CHH: As letras do grupo têm teor político e falam sobre a questão racial. Por que vocês optaram por esta linha?
Q.I. Alforria: Foi pela necessidade de expor nossa versão da história, porque para o polícia nós somos pretinhos vagabundos, para o patrão mais um número, para a burguesia somos sem futuro, porém fazemos o futuro deles. No Rap, podemos ser gigantes, podemos incorporar Malcolm, Zumbi, Lampião, Lamarca. Vivendo em periferias brasileiras, isso é algo que não temos como fugir, já que somos massacrados pela política e sofremos pela discriminação racial.

CHH: Qual relação música pode ter com a política o que isto pode trazer de bom?
Q.I. Alforria: Achamos que a música é uma ferramenta poderosa para atrair a atenção das pessoas, que se interessam pela musicalidade e, querendo ou não, ouvindo a música acabam prestando atenção no conteúdo, na letra. Sendo apartidária, já que a música deve ser livre, ela pode trazer senso crítico e pode falar a língua da rua. Porque fazer músicas muito politizadas, que só os burgueses entendem, não atinge a favela, só convida o burguês a tomar um café pra discutir política.

CHH: Como é o trabalho de divulgação do Q.I.A.? Vocês possuem assessoria?
Q.I. Alforria: Nossa divulgação é feita por nós mesmos e pelos parceiros próximos, nas quebradas, nas biqueiras, nos bailes, no trampo, pela Internet. Infelizmente não possuímos assessoria, mas acreditamos que seria algo muito importante para o crescimento do grupo.

Existe uma grande produção e movimentação de grupos, mas há poucos espaços para shows. Na opinião do grupo, nós não podemos depender dos outros para fazerem as festas e nos convidarem, temos que nos organizar e criar nossos próprios eventos. Os poucos que têm essa iniciativa não conseguem abraçar todo mundo, por mais que tentem. Por isso é importante que a gente também se profissionalize e aprenda o negócio da música para podermos negociar patrocínios, shows, etc.

CHH: Qual a responsabilidade dos grupos de Rap nesse caso?
Q.I. Alforria: Primeiramente, os grupos têm a responsabilidade de fazer músicas boas, que consigam tocar tanto na 105 FM quanto na rádio Mix, por exemplo. Na gringa, os pretos fazem músicas com conteúdo pesado, nocivo, porém conseguem atingir uma grande massa, por serem músicas contagiantes, assim como é o pancadão no Brasil. Também é importante que os grupos acabem com essa subdivisão de underground, de gangsta, de falso e verdadeiro, porque no estado atual do rap temos que concentrar nossas forças. É óbvio que diferenças existem, não podemos desvirtuar as idéias do Rap, mas também existem pontos em comum. E os grupos que já estão na cena têm a responsabilidade de usar sua visibilidade para trazer novos grupos, para virar uma bola de neve, um grupo traz outro e assim o Rap sempre se renova.

[+] Baixe o EP promocional do grupo
[+] Visite o Myspace do Q.I. Alforria
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Entre em contato com o grupo


Por: Erica Giane Bastos



Comentários

Foram localizado(s) 18 comentário(s)


Sumemo Familia, tamo junto, não se esqueçam, que eu tenho umas antiguinha lá hein, escuto diretooooo "Revolucionario sou preto, sou gueto SO Sooo, rebelde maloquero, bato no peito, SO SO" heheheheh é nóis vamo que vamoooooo Aguardando Ansioso o trabalho

Por: Raphão Alaafin - Em: 24/11/2009 19:13:07


O grupo é D+... ouvi o CD e curti MUITTOOOO ... vcs são zikaaa! é isso aii tah arrebentando ***** SEMPRE

Por: JÉssica - Em: 13/11/2009 21:17:54


Bom os cara tá no corre faz uma cotinha e já mereçe um respeito por toda correria e pela qualidade Valeu!!!

Por: Biscoito - Em: 12/11/2009 17:23:02


O único grupo de Rap que realmente parei pra ouvir!!!! E digo mais, ouvi e gostei! Vcs são foda! Não vejo a hora de escutar as novas músicas!!! Mas já garanto "Seu beijo" é a melhoooor! Sucesso!!!!

Por: Tati - Em: 12/11/2009 16:01:55


ai gostei da ideia do gupo eles nao tao moscando nao sabem que o ap pesiça usar varios estilos parabens pelas espostas

Por: rodrigo zl - Em: 10/11/2009 00:40:47


Muito boa a idéia dos manos. Sumemo o Rap tem grupo de tudo quanto é estilo, felizmente muitos representam e apagam os que dizem e fazem besteira. vou baixar os sons

Por: DJ Sergio - Em: 08/11/2009 15:31:17


TAI UM GRUPO DE RAP DE VERDADE !! é um grupo inteligente e de ideais fortes que e sabem o que estão falando e fazendo, bem diferente de muitos que estão por ai estragando o RAP NACIONAL com hipocrisias e demagogia, e não sabem nem hora que estão com fome !!! SUCESSO RAPAZIADA O RAP PRECISAM DE GRUPOS QUE NEM O DE VOCÊS ! Luiz - Divinópolis MG

Por: Luiz - Em: 08/11/2009 00:21:08


É mais do que notório o talento de vocês, o CD nas ruas sem dúvida será a virada do rap nacional. Sucesso na caminhada!!

Por: Réu - Em: 06/11/2009 18:45:10


Caralho, ótima entrevista ..

Por: B-Zero - Em: 06/11/2009 16:08:03


Salve Salev QI Alforria .. ae 1º meus parabens pelo trampo muito bom mesmo,ja colei em um show de vcs e tenhu a dize que esse grupo mando muito forte ! Força ai na caminhada que vcs tem td pra da certo . abraço PAZ

Por: Rafael Z/L - Em: 06/11/2009 15:24:22


Salve rapaziada... eh muita audacia!

Por: BNO - Em: 06/11/2009 12:51:45


Olha só que barato loko! Vou esperar ansiosamente por esse CD do QI Alforria! Dizem por aí que esse grupo tem os melhores rimadores e o melhor produtor de rap do brasil... Já ouvi alguns sons como "Massacre" e "Aquele Sentimento" e já sou fã! Força e Luz rapaziada! O que é pra ser, vai ser, e já era!

Por: Roni - Em: 05/11/2009 19:08:43


Salve QI, salve CHH... Satisfação total e muita crença nesse trabalho que vai sair nesse final de ano! Tem muito mais por vir! Saudações Audaciosas!

Por: Nefasto - Em: 05/11/2009 09:01:37


Aeeee QI Alforria o som de vcs eh 10000000000, sem palavras...eu fui em um show e vcs arrebentaram...tenho ctz q esse lancamento vai dar o q flar!!!! abracao a todos do grupo

Por: Vitor ALves - Em: 05/11/2009 01:38:54


Não conseguii ouvir o novo CD do grupo por inteiro ainda, mas não tenho dúvida de q a faixa "Seu Beijo" será um SUCESSO! o/

Por: Joyce - Em: 04/11/2009 02:05:51


Salve QI Alforria! Saravá Cafuris e Rocha,toda a família! Esse trampo tem tudo pra dar certo tiu...é um dois pra contaminar todas as quebradas...Qi Alforria equilibra literatura marginal com uma batida envolvente, algo que tantos falam que o nosso Rap nacional não tem!! Muita Paz, Amor, Saúde aos guerreiros de atitude!

Por: Fabio Boca - Em: 03/11/2009 18:18:56


Respeito. Muito respeito ao Q.I.

Por: Rodrigo - Em: 02/11/2009 22:54:03


Curti pra caralho os sons!

Por: Blequimobiu - Em: 02/11/2009 22:35:33



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